O manejo do tripé: câmbio, política fiscal e monetária está comprometido neste momento. Há manipulação de dados. A contabilidade pública sofre de ajustes periódicos para demonstrar um equilíbrio inexistente. O desprezo ao zelo inflacionário atingiu diretamente o equilíbrio fiscal. Crescemos aquém do crescimento de nossa divida. O BNDES e Caixa emprestam a empresas juros subsidiados para não quebrarem. O certo seria emprestar para crescerem. A bolsa de valores seria o caminho convencional para o financiamento das empresas. Na Bolsa as empresas demonstram a transparência de seus números. Captam capital para suas expansões ou mesmo reestruturações. Podem planejar e comprar outras empresas, vender as que estão fora do foco ou do prumo.

O que está por trás destas manipulações? Por que esconder, acrescentar ou diminuir números? Não seria mais fácil corrigir do que distorcer? Será que alguém acredita que estão ganhando tempo? Se continuar como está explodirá a inflação e a “rainha estará nua”, o povo pobre e as empresas quebradas.

As empresas sob controle direto ou indireto do governo estão sofrendo o pior assédio econômico após o período ditatorial. A Petrobrás é obrigada a importar gasolina e distribui-la com prejuízo. A Vale controlada por fundos de funcionários públicos ( subsidiados pelo governo) atende a demandas de mudanças em suas operações. Investiram milhões em uma exploração mineral na Guiné que não acontecerá. Remanejamento com sucesso deste fracassado investimento será improvável. A s decisões de interesse governamental não deveriam comprometer a governança empresarial. Isto está ocorrendo. O mesmo ocorre no campo das empresas de geração e transmissão de energia elétrica. Mudar os termos contratuais dilapidará patrimônio. Desconcertará equilíbrios, legando desconfianças para os investidores. Ocorrerá quebra de itens contratuais. Grave.

A queda dos juros afetou a rentabilidade dos bancos, sem a contra partida da ativação desenvolvimentista. Por quê? A massa salarial está estagnada. Não há possibilidade de maior endividamento da pessoa física. A pessoa jurídica ativará seu senso de oportunidade quando enxergar:

1) Transparência dos dados nacionais.

2) Confiança no governo federal em cumprir as clausulas contratuais quanto a remuneração do concessionário.

3) Retorno da capacidade da população ao dispêndio ( investir ou consumir)sem calotear.

O governo sinaliza fraqueza de propósito ao: escamotear dificuldades, manipular contabilidade, hesitar quanto ao momento certo de intervir no câmbio, adiar o choque ante inflacionário, adiar aumentos de preço, fugir ao combate do gasto em consumo, não atuar em melhorar suas forças para acontecer os investimentos planejados. A cada dia mais evidente. A hora do desequilíbrio irreversível, com menos dor está chegando. É hora de enfrentar a situação. Seja pelas condições favoráveis do calendário político seja motivado pela sanidade pública.

Ronaldo Bianchi

Outro dia uma amiga me perguntou: Por que o Haddad não fez uma boa gestão no MEC? Fulminei uma resposta na ponta da língua: ”Ninguém fará. Nem o mais bem preparado dos homens públicos e nem o melhor dos empresários”.

A situação estrutural da máquina pública impossibilita a sua ordenação. A carreira pública é uma atração para iniciantes. Na medida em que:

1) Vincula teto de vencimentos.
2) Forma sofistica de comparação com outras carreiras de estado.
3) Faz “tábua rasa” para talentosos e os medíocres.
4) Remuneração igual para esforços e resultados diferenciados.

A partir deste instante mediocrizarão o trabalho público. Resta aos talentosos com caráter a porta da rua. Aos outros se contentarão com o servido. As greves não são fruto para remunerar o distinto, mas remunerar os mais do mesmo.

A reforma da carreira pública está ocorrendo. Em qual sentido? No sentido da redução do custeio. Achatar a aposentadoria. Torná-la uma responsabilidade do funcionário. O valor final será semelhante ao do aposentado da iniciativa privada. Terá o mesmo teto. Para algumas carreiras seria retroagir ao início de sua trajetória profissional. Justo, injusto? Depende o quanto o governo desenvolver mecanismos de destaque e ganhos por mérito no desenvolvimento do profissional.

Quanto valorizará o talento e o esforço. Individual ou da equipe. Dada as condições atuais onde poucos querem mais dado em troca mais empenho. Resta arrochar. Não é inteligente. O certo e justo é alcançar metodologia distante do corporativismo. Próximo da meritocracia. Ganharão mais os melhores. Aos ligados aos centros científicos a possiblidade de patentear seus processos e invenções. Aos professores a remuneração varável pelo destaque dos resultados ano a ano auferidos por seus alunos. Estímulos para toda a escola a que está vinculado. Do asseio do ambiente, da qualidade alimentar ao aprendizado final. Hoje não há desafios. Não há: premiação reveladora. Ou remuneração pelo mérito. Aos que desejam encosto o melhor é a demissão involuntária. Quem não atingiu determinado patamar de desempenho: rua.. O emprego com garantia permanente servirá para: promotor, procurador (em alguns casos), juízes, militares e diplomatas. O restante cabe o acompanhamento de resultado, desempenho.

Quanto aos cargos públicos em comissão não deveriam existir. Os governantes deveriam escolher dentro dos funcionários concursados os destaque ou os afins. Precisamos fugir dos carreiristas sem vínculo com a atividade pública. Pessoas que assumem temporariamente funções com metas partidárias ou visando seu enriquecimento. Se precisar oxigenar a máquina: demita, admita conforme novas regras. Contrate assessoria especializada. O que não se deve fazer é entulhar o serviço público de asseclas partidários. Gente sem formação. Talvez nestas condições as carreiras públicas sejam enobrecidas e os serviços públicos realizados com zelo, nas condições que merecemos.

Ronaldo Bianchi

As contas públicas brasileiras estão se aproximando da zona de perigo. O governo ainda não percebeu. A realidade apontará a situação preocupante para onde caminhamos: inflação sem crescimento. O período de superávits contínuos terminou. Hoje nossas contas já estão insuficientes para:

1) Financiar o déficit orçamentário.
2) Pagar da previdência social.
3) Melhorar a infraestrutura do país.
4) Criar políticas para o desenvolvimento nacional.

Os números destes últimos meses apontam um cenário negativo vamos aos números:

1) Para atingir a meta fiscal precisaremos de R$ 65,6 bilhões. Representam o dobro da nossa necessidade no mesmo período do ano passado.
2) A redução da taxa básica de juros até o momento reduziu nosso déficit em R$ 12,7 bilhões, anulado pelo aumento das despesas $12,2 bilhões.
3) Nosso superávit primário foi reduzido de 3,2 para 2,5% do PIB o que representa uma queda de 22%.
4) O aumento da massa salarial federal será em 2012 de 3,3%. Para 2013 o impacto dos últimos dissídios aponte pelo menos entre 4,5% a 6%.
5) Nosso déficit nominal passou de 2,4% para 2,7% do PIB.

6) Os dividendos das estatais representaram a salvação das contas nacionais em 2012, serão R$29 bilhões. Números mesmo que superado, insuficiente para aplacar o aumento do atual custeio da máquina pública.

O que fazer?

O momento para as correções deve acontecer imediatamente após a eleição dado a situação preocupante de nossas contas. Caberá ao governo apertar o cerco do seu custeio, evitar a o financiamento sem lastro para a população, aumentar tarifas de produtos importados (compensando a s desvalorização do dólar e outras moedas), melhorar sua capacidade executiva de projetos e programas (PAC, por exemplo), vetar projetos de lei que aumentem o custo da produção e da máquina pública. As ações para inibir “os vazamentos” orçamentários ainda parecem tímidas. Há muita tolerância, “vistas grossas” para o aparelhamento ministerial.

O cenário futuro encontra-se a favor da nova oposição em formação. O governador do Pernambuco e o senador mineiro Aécio Neves apontam como vencedores na eleição municipal brasileira de 2012. Cacifados pela vitória, estarão prontos para formar um discurso oposicionista com consistência para a eleição de 2014. O futuro dirá como será o comportamento da presidente Dilma frente a esta decomposição do cenário econômico. Se agir poderá suceder-se, caso contrário nenhum beato Salu, conseguirá ajuda-la na sua tentativa de reeleição.

Ronaldo Bianchi

O julgamento do desvio do erário denominado mensalão é um marco histórico. O STF condenou um deputado federal por corrupção ativa. Motivo de comemoração. Por outro lado Paulo Maluf, processado há mais tempo, ainda não foi julgado pela mesma corte.

Este fato nos leva às seguintes questões: Nunca chegou ao STF um processo de desvio do erário? Os anteriores não estavam instruídos de forma correta? Faltou a promotoria instrução correta? A Polícia Federal agiu fora da lei ou não encontrou evidências criminosas? Os juízes anteriores eram mais tolerantes ao crime e aos criminosos? Os advogados de defesa eram mais preparados? O que há de diferente neste caso?

Há condicionantes para este julgamento ser um paradigma. Quais são:

1) Crime praticado por um conjunto de atores de primeiro nível.

2) O volume de dinheiro é de grande monta.

3) A acusação tem origem no seio político. Roberto Jefferson denunciou a operação, incriminando-se. Pormenorizou as operações e os envolvidos. Ato até então inédito na política brasileira.

4) O desmonte do mais importante articulador do presidente e do PT o então ministro da casa civil José Dirceu, do líder do governo José Genuíno, e do ex-presidente da Câmara Federal João Paulo Cunha. Impacto expressivo junto aos poderes executivo e legislativo.

5) A impressa cobriu intensamente todo o desenrolar da CPI ao inquérito da Polícia Federal.

6) O relator do processo no STF é um promotor de formação.

7) A Polícia Federal atuou destemidamente reunindo conjunto de provas irrefutáveis.

8) a Promotoria Geral da República cumpriu seu papel . Alinhavou passo a passo a ordenação criminal. Apontou seletivamente acusado e seus crimes.

9) O STF dividiu o julgamento em lotes criminais. Emanando sua decisão ao final de cada exame. Prático e rápido. Inibiu argumentos protelatórios.

O julgamento do mensalão é um divisor em nosso judiciário. Até o momento corre como o previsto: a justiça se realizando. Não há marmelada e não acabando em pizza. Parece filme americano onde ao final o bem vence o mal. Reconforta-nos agora assistir um final feliz.17

Ronaldo Bianchi

A lei de falências em vigor é um ganho expressivo para os negócios no Brasil. Ela proporciona de fato a recuperação das empresas devido a diversos motivos precisam de fôlego para sua recuperação. Será por via judicial, porque não há outra forma que assegure o devedor da execução do credor. A planificação da reabilitação deve ser aprovada pela assembleia de credores. Nada mais justo. Tudo parece caminhar bem até o momento em que surge como saldar os débitos trabalhistas. Nesta oportunidade, como na lei anterior tem alegada prioridade. Como a situação da inadimplência se constitui?

1) Podemos elencar como o principal razão da sua situação: a má gestão. O desentendimento societário sendo o mais relevante, seguido da desobediência da vigilância constante das alterações do mercado, das consequências de alterações relevantes de ordem macro econômica, da defasagem do tempo entre o desequilíbrio e ações reparadoras para enfrentar condições adversas, das fraudes e roubo contínuos do estoque, patrimonial e do caixa. Falta de política de crédito, ou seja vender a qualquer um sem verificação cadastral ou impor limite a cliente.

2) Os sócios ou seu maior acionista procuram financiar o capital de giro em credores que possam obrigá-los ao pagamento a longo prazo (acima de dois anos) a médio ( acima de uma ano). Desta forma a inadimplência dos impostos é a primeira medida tomada da direção, A segunda é a demissão do excesso de efetivo ( quando existe) ou a redução extemporânea do quadro de colaboradores.

3) Consolidar a dívida bancária estendendo seu vencimento e parcelando ao limite do crédito disponível.

4) Renegociar os débitos com os principais fornecedores, quando possível.

5) Cortar custos operacionais e administrativos.

6) Acelerar recebíveis.

Mesmo após todas estas possíveis providências para estancar a decrepitude organizacional outras medidas devem ser tomadas pela administração. Porém, quero apresentar atitudes governamentais para acelerar a recuperação e evitando a falência da empresa. Quando? A empresa for adquirida por outra empresa, credores ou em transição de venda. Sugiro:

1) Imediata suspensão dos sequestros do caixa pelo poder judiciário.

2) Redução das alíquotas dos impostos incidentes acompanhada da extensão do prazo de recolhimento dos impostos.

3) Suspenção da cobrança integral dos encargos sociais.

4) Possibilidade dos novos adquirentes em reduzir salários temporariamente, sem reposição futura.

5) Capital de giro oferecido pelos bancos oficiais a juros bancários ao limite da inflação prefixada.

Assim talvez os empregos sejam preservados e as debilidades conjunturais ou estruturais extintas. A empresa retorne a sua normalidade.

Ronaldo Bianchi

O julgamento do desvio do erário denominado mensalão é um marco histórico. O STF condenou um deputado federal por corrupção ativa. Motivo de comemoração. Por outro lado Paulo Maluf, processado há mais tempo, ainda não foi julgado pela mesma corte.

Este fato nos leva às seguintes questões: Nunca chegou ao STF um processo de desvio do erário? Os anteriores não estavam instruídos de forma correta? Faltou a promotoria instrução correta? A Polícia Federal agiu fora da lei ou não encontrou evidências criminosas? Os juízes anteriores eram mais tolerantes ao crime e aos criminosos? Os advogados de defesa eram mais preparados? O que há de diferente neste caso?

Há condicionantes para este julgamento ser um paradigma. Quais são:

1) Crime praticado por um conjunto de atores de primeiro nível.

2) O volume de dinheiro é de grande monta.

3) A acusação tem origem no seio político. Roberto Jefferson denunciou a operação, incriminando-se. Pormenorizou as operações e os envolvidos. Ato até então inédito na política brasileira.

4) O desmonte do mais importante articulador do presidente e do PT o então ministro da casa civil José Dirceu, do líder do governo José Genuíno, e do ex-presidente da Câmara Federal João Paulo Cunha. Impacto expressivo junto aos poderes executivo e legislativo.

5) A impressa cobriu intensamente todo o desenrolar da CPI ao inquérito da Polícia Federal.

6) O relator do processo no STF é um promotor de formação.

7) A Polícia Federal atuou destemidamente reunindo conjunto de provas irrefutáveis.

8) a Promotoria Geral da República cumpriu seu papel . Alinhavou passo a passo a ordenação criminal. Apontou seletivamente acusado e seus crimes.

9) O STF dividiu o julgamento em lotes criminais. Emanando sua decisão ao final de cada exame. Prático e rápido. Inibiu argumentos protelatórios.

O julgamento do mensalão é um divisor em nosso judiciário. Até o momento corre como o previsto: a justiça se realizando. Não há marmelada e não acabando em pizza. Parece filme americano onde ao final o bem vence o mal. Reconforta-nos agora assistir um final feliz.

Ronaldo Bianchi

O julgamento do desvio do erário denominado mensalão é um marco histórico. O STF condenou um deputado federal por corrupção ativa. Motivo de comemoração. Por outro lado Paulo Maluf, processado há mais tempo, ainda não foi julgado pela mesma corte.

Este fato nos leva às seguintes questões: Nunca chegou ao STF um processo de desvio do erário? Os anteriores não estavam instruídos de forma correta? Faltou a promotoria instrução correta? A Polícia Federal agiu fora da lei ou não encontrou evidências criminosas? Os juízes anteriores eram mais tolerantes ao crime e aos criminosos? Os advogados de defesa eram mais preparados? O que há de diferente neste caso?

Há condicionantes para este julgamento ser um paradigma. Quais são:

1) Crime praticado por um conjunto de atores de primeiro nível.

2) O volume de dinheiro é de grande monta.

3) A acusação tem origem no seio político. Roberto Jefferson denunciou a operação, incriminando-se. Pormenorizou as operações e os envolvidos. Ato até então inédito na política brasileira.

4) O desmonte do mais importante articulador do presidente e do PT o então ministro da casa civil José Dirceu, do líder do governo José Genuíno, e do ex-presidente da Câmara Federal João Paulo Cunha. Impacto expressivo junto aos poderes executivo e legislativo.

5) A impressa cobriu intensamente todo o desenrolar da CPI ao inquérito da Polícia Federal.

6) O relator do processo no STF é um promotor de formação.

7) A Polícia Federal atuou destemidamente reunindo conjunto de provas irrefutáveis.

8) a Promotoria Geral da República cumpriu seu papel . Alinhavou passo a passo a ordenação criminal. Apontou seletivamente acusado e seus crimes.

9) O STF dividiu o julgamento em lotes criminais. Emanando sua decisão ao final de cada exame. Prático e rápido. Inibiu argumentos protelatórios.

O julgamento do mensalão é um divisor em nosso judiciário. Até o momento corre como o previsto: a justiça se realizando. Não há marmelada e não acabando em pizza. Parece filme americano onde ao final o bem vence o mal. Reconforta-nos agora assistir um final feliz.17

Ronaldo Bianchi

A primeira lição que precisaríamos acolher como verdade absoluta é: O mundo não para. Parece fácil, mas levamos nossa vida brasileiramente. Temos ótimas ideias, diagnósticos pretenciosos, marco legal avançadíssimo, propostas mirabolantes e somos bem humorados. O que nos falta para avançar sem perder a ternura? Quais os aspectos pessoais, familiares, empresariais, governamentais? Onde a equação se resolve? No comportamento, quando vencermos a falta de: responsabilidade, de foco e imputabilidade.

As pessoas acreditam que vencerão seus obstáculos sem sacrifício. Acreditam que teoria é inútil, que a prática é senhora. Isto ainda é uma das perspectivas do lado A. Quando passamos a examinar o lado bem o que enxergamos? O lado A nos leva ao lado B. Fazer sem estudar, planejar, tendo a certeza que alcançará seus objetivos é um passo em falso que nos acostumamos a praticar.

Somos um país de poucos engenheiros, cientistas, médicos, técnicos. Somos um país iletrado, dominado pela insegurança oriunda dos malfeitos do Estado e da elite que nos comanda. Tememos as autoridades. Não as criticamos. Somos dependentes do dinheiro e dos ocupantes dos cargos públicos. A liberdade de expressão acontece timidamente. A agressividade dos chefes de gangues das “comunidades” cala a população. A polícia não está nem aí em ser servidora. A máquina repressora do Estado não nos protege. Não investiga. É relapsa, na melhor forma da expressão. Pagamos um custoso pedágio para permanecermos no atraso. Vivemos um “nosense” social, político, cultural. Nossas vidas se esvaem pela perda de tempo e recursos mal empregados.

Sou um cidadão que tem uma renda acima da média. Sou classe A pelo IBGE. Pago 27,5% de IR, tributos do ICMS nos produtos que consumo. Peço NF em qualquer transação, portanto acredito estejam indo para os cofres públicos. Pago a previdência social. Recolho todos os tributos de origem municipal. Apesar de fazer o que devo, pois acredito que assim deve ser. Não é uma virtude o que faço. O que recebo em troca? Quase nada. Meus filhos estudaram em escolas privadas, quando adoeci, minha internação aconteceu em hospital privado. Quando atendido no PS público, o médico aconselhou minha remoção imediata ou morreria. Não tinham eletro em funcionamento. A internação foi ressarcida pelo plano de saúde que pago mensalmente. Quando precisei da polícia para colocar a verdade acima da calúnia levei nove meses para levar o caluniador ao tribunal. O tribunal mais seis para marcar a primeira audiência. Quando viajo pago pedágio, portanto nada gratuito. O veículo que utilizo (moto) para trabalhar é licenciado e sofre uma ridícula vistoria anual “papa níquel”.

O Brasil sairá de seu impasse profundo? Talvez e somente quando cidadão tiver a certeza de que:

1) As instituições públicas são eficazes e eficientes.

2) Os malfeitores como funcionários públicos e políticos corruptos, e tantos outros forem pegos e punidos.

3) Conseguirá expressar suas ideias sem temor da represália e do constrangimento.

4) Ser honesto não é vergonhoso e nem uma virtude.

Ronaldo Bianchi

Roberto Romano, Miguel Reali Jr, Gaudêncio Torquato e Fernando Henrique Cardoso, a entrevista em quatro artigos publicados neste final de semana (1 e 2 de Setembro de 2012) explicam alguns dos entraves que elevam o grau de dificuldades para superação dos nossos impasses.

O que há subjacente a todos é:

1) A ausência de percepção sobre o que seja conduta ética por parte de funcionários públicos ou de empresas.

2) A nossa tendência a não reconhecer o direito de defesa a quem é acusado.

3) O desperdício do “timing” de oportunidades para importantes reformas estruturais.

4) A propagação da corrupção na administração pública brasileira.
Observem: não são revelados elementos materiais como a ausência de escolas de engenharia, medicina ou técnicos em exploração de petróleo. Não é um cenário técnico. É um cenário político, sociológico e antropológico.

O principal impasse que vivemos é o da identificação do que seja legal, moral e eticamente permitido realizar sem que nossos recursos sejam desperdiçados ou manipulados a favorecer determinada pessoa física ou jurídica. Nosso dilema parece singelo, até simplista, definir padrões para separar, classificar, agir e executar ações que alcancem seus objetivos sem arranhar os princípios comportamentais regulados por normas estabelecidas. Estas normas são escritas, não seguimos padrões ingleses do direito do costume.

Nosso direito civil indica:

1) O comportamento do servidor público é determinado pelo que deve fazer.

2) Enquanto o direito civil pauta o que os agentes privados podem fazer tudo desde que o não proibido.

Nesta condição por é tão difícil atender a lei ou o melhor comportamento? Uma pista pode ser a porcentagem das apreensões ou constatações das irregularidades. Menos de 5% das ocorrências chegam a ser reveladas, investigadas e seus autores repreendidos.

Considero-me privilegiado por ter atuado no setor privado, público (direto e indireto) o que percebo é uma pressão violenta para facilitar caminhos para o ganho fácil. É uma situação de permanente vigilância para a conformidade vencer a acomodação, o jeitinho. De uma forma geral as pequenas espertezas são denunciadas e punidas. As inconformidades da base da pirâmide são punidas exemplarmente. Enquanto as dos topos são bem escondidas, não reveladas e que causam os maiores danos à sociedade.

Nossa realidade mudará quando ações contra as grandes falcatruas, mentiras e desordenamento sejam revelados e combatidos, punidos. O julgamento do “mensalão” conseguiu pela PRIMEIRA vez no Brasil punir um político em exercício ou não, no caso João Paulo Cunha. Inacreditável. Percebo difíceis ações que possam corrigir tais distorções. A base teme, com razão de ser fonte revelada. Foi o caso de muitos. Quando acusam são punidos. Perdem e não reconquistam empregos. O que fazer? Comece em casa, na sua empresa, na organização onde trabalha a valorizar o lícito. É um começo.

Ronaldo Bianchi

Sobram dificuldades para superar nosso miserável destino e algum dia sermos uma potência. Nosso sonho de um dia ser potência adiado diariamente, quando deixamos vencer os maus exemplos dos que nos governam. Nosso governo adia o crescimento quando aumentam tributos e arrecadação para gastar em custeio. Os cofres públicos foram recheados com um crescimento real de 65% entre 2004 a 2011, descontada inflação.

Quanto aumentou o nossa capacidade de investimento? Zero. Todo o excesso foi dirigido para o custeio. Nasci e vivo em São Paulo há 58 anos. Vi uma cidade explodir em crescimento desordenado dentro fora da ditadura. A população brasileira é predominantemente urbana, ultrapassamos a barreira dos 80%. A caraterística mais difundida do povo brasileiro é sua “amabilidade”. Discordo, somos um povo violento. Morrem 100 mil brasileiros por ano vítimas de violência dos mais diversos fatores. Matamos anualmente mais do que a guerra do Vietnam matou em 10 anos. Somos desorganizados, subletrados, mal educados. A tragédia é que a maioria nem tem consciência desta miséria. Somos um povo inconsciente da sua fragilidade. Nossa elite econômica, política e social, com honrosas exceções estão preocupadas em:

1) Aumentar seu patrimônio privatizando o bem público. Legal e ilegalmente.

2) Iludir o fisco ao máximo, pois e considera extorquida pelo governo. Uma verdade.

3) Proteger-se da violência urbana com blindagem de automóvel e condomínios.

4) Ficar numa “boa” com os dirigentes da vez. Na condição de “rei morto, rei posto”.

5) Desviar fortunas para o exterior legal ou ilegalmente, ao invés de investir em nosso país. Até mesmo doar parte de seu patrimônio às causas redentoras.

6) Não criticar nossos governantes seja do prefeito a presidente. Do executivo ao judiciário. Aqui a proposta é: enquanto estiver a favor bico calado, se empatar idem. Se estiver perdendo arranjam um jeito, calado, de se virar. Aqui, morremos quietos.

Enquanto não nos olharmos no espelho e enfrentarmos o monstro que está em nós, seremos sempre uma promessa. Uma trágica realidade. Tem jeito. Pode ser. Como?

Aprendendo com:

1) Os alemães a poupar, educar, recompensar os valorosos, trabalhar pelo bem coletivo.

2) Os coreanos que educação é investimento e não um custo.

3) Os Americanos que a liberdade de expressão e a crítica são valores sociais inalienáveis.

4) Os chilenos que há muito vida fora do setor público.

5) Escandinavos que dinheiro público deve ser respeitado ao extremo. Aprender que corrupção deve ser combatida com severidade.

6) Os canadenses em receber capitais internacionais desde que venham para engrandecer o país e não especular em suas fragilidades.

Vejo o povo brasileiro: sem liderança que os redima. Impotente frente: aos estelionatários políticos, corruptos que se instalam na área pública e consorciados com seus pares privados destroem o seu futuro, dos diversos agentes que o distanciam do que seja uma vida digna, dos que o impede a alcançar oportunidades igualitárias. Não há eleição que resolva. Só educação e transmissão de valores de cidadania.

Ronaldo Bianchi