egocentric

Quando se trata de rotular empresários ou executivos muitos analistas e colunista de negócios criam metáforas. “Fulano de tal é fera”. “O cara é animal”. Quando no coletivo alguns os tratam como portadores de instintos selvagens. São metáforas. Beiram a fantasias. Na maioria das vezes são pessoas que projetam sonhos e os transformam em realidades. O que os diferenciam? Muitas coisas. Postura frente à adversidade, conhecimento técnico sobre o assunto que trabalha. Modelos e processos decisórios. Capacidade de agregar times, pessoas com talentos apropriados para aquele momento, agregar financiadores, projetar visões e coragem, muita coragem. Uns mais centralizadores outros menos. O que define o empresário que deu certo não é necessariamente a sua conta bancária. Este pode ser um dos critérios, mas não necessariamente o melhor. Entendo que um empresário de sucesso é aquele que levou o seu negócio do ponto inicial até a passagem para seus sucessores. Fato raro. Os movimentos econômicos e as oscilações da cadeia de negócios são tão exigentes e mutáveis que nada está seguro. Qualquer vacilada, pronto o castelo se desmancha. Muitos não passam de castelos de areis ou de cartas.

O que mais leva ao fracasso empresarial? Para mim em primeiro lugar é o ego. O personagem acredita que tendo um sucesso, não percebe que pode ser temporário. Acredita que pode ser definitivo e permanente. Além disto, pensa que poderá replicar a mesma fórmula em outros projetos e indefinidamente. Hoje sabemos que não pode ser deste jeito. O que nos leva a crer que a leitura da mudança da realidade não é lida na velocidade necessária. Ocorre um retardamento perceptivo. Os fatores de sucesso em determinado setor foi alterado, inventaram-se novas formas de fazer ou servir que não foram absorvidos pelas empresas. O líder pode até ter percebido, mas a cultura da organização resistirá a reconhecer a necessidade de mudança. Neste caso nem sempre os mesmo companheiros deveriam seguir a “viagem”. Precisariam ser desligados. Caso contrário às mudanças necessárias não se realizarão. O caso mais comum é o líder não acreditar que a realidade mudou. Pior ainda quando o seu ego é alimentado pelos milenares “puxa sacos”. Aqueles que independentemente do que se apresenta o chefe sempre tem razão. Estes são o mais comuns dos cenários. No final todos sucumbem de uma forma ou de outra.

O sucesso mesmo ocorre quando o empresário se dá conta que aquele negócio já era. Precisa partir para outra. Assim se faz com que valores e riquezas não sejam destruídos. Vejam o caso do Abílio Diniz. Reinventou-se diversas vezes. O seu ego não o cegou. Dizem o que não lhe falta é um ego inflado. Ele é um sucesso. Conseguiu pegar um negócio pequeno e torná-lo um dos líderes do setor. Empregou muita energia para que uma revenda de mercadoria se tornasse uma empresa de expressão nacional. Porém manteve o foco. Não ficou pululando. Não precisou de ajuda governamental, não foi ou será uma concessão pública.

Em primeiro lugar não se incomode com os fracassos. Faça deles um aprendizado. Tenha foco, perseverança, atitude, escolha colaboradores adequados, procure conhecimento técnico e exerça seu senso de oportunidade. Como saber a hora de entrar, avançar, recuar ou sair, pode fazer a diferença entre o sucesso ou o fracasso empresarial. Portanto, o sucesso é um estado de espírito.

Ronaldo Bianchi

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Quando a crise bate nas organizações a direção procura saber quem é o culpado ou em quem vai colar a culpa. De monarcas a patrões a retórica é sempre a mesma. O mais importante seria entender o “por que chegamos a esta situação” e não quem nos fez chegar a esta situação. No fundo sabemos quem se omitiu e fingiu que não viu. Não há inocentes no fracasso. Só o sucesso tem dono. Diante desta premissa, como resgatar a autoconfiança para mudar? Não existe uma única resposta. Dependerá do tipo de empresa e cultura. São vários caminhos para cada tipo de empresa. Neste artigo foco a pequena e média empresa familiar.

Quando as condições da irregularidade da gestão da economia levam a mudanças significativas?

Por exemplo, quando o câmbio está artificialmente sobre valorizado por um grande período a indústria é abalada em seus alicerces. Preços e custos não dialogam. Para o reequilíbrio cabe avaliar o que deixar de produzir, o que importar e distribuir. Não tem saída. Remar contra a maré é desmobilizar patrimônio ou reservas para tampar buracos mensais dos caixas arrombados. Não há possibilidade para o resgate do equilíbrio financeiro onde reina a insensatez governamental para aplacar uma possível inflação de demanda. Foi o que vivemos por treze anos.

Quando os assuntos se sobrepõem. Câmbio e negligência.

Além da sobre valorização cambial a empresa não cuidou da renovação de produtos e das suas operações. Aí a crise é acelerada pela ineficiência ou ineficácia da direção. Quem não fica atento nas potencialidades da concorrência internacional, nas novidades de processos mais automatizados e na sua cadeia de negócios pode ir à recuperação e depois a falência com muita rapidez. Dois anos e bum! Estourou.

A empresa perdeu competitividade

A maioria dos empresários não percebe que seus negócios estão localizados em zonas de combate. Onde há franco atiradores e/ou artilharia pesada. Precisa definir seu foco se seguirá pelo caminho do nicho. Onde o que importa é o valor percebido da sua marca. O outro é o caminho da commoditie, onde o que importa é o custo e não o valor percebido. Portanto, a empresa de nicho perderá competividade quando os seus produtos perderão a singularidade. A marca perdeu o valor para o mercado que atendia. Se a opção for commoditie, o que importa é sempre produzir pelo menor custo. Altos índices de produtividade, estrutura enxuta e expressivos volumes. Só assim se manterá vivo.

A sucessão.

A prole cresce e a família começa a pensar onde seus descentes irão trabalhar. A preocupação é legitima: encaminhar a prole. A prole casa. Chegam as noras e depois os netos… A pergunta que se coloca é: A prole quer ou tem potencialidade para dirigir os negócios familiares? É uma pouco trivial e um percurso árduo. Os empresários sábios encaminham logo cedo os potenciais para estudarem em primeiro lugar. Gente sem estudo ou conhecimento pode dar certo, mas são poucos. Trabalharem fora da empresa. Procurarem seus caminhos. Fazerem o que gostem e tenham realização. Se acontecer isto é um bom caminho para em algum momento a liderança familiar convidar alguém para a sucessão.

Colocados estes pontos, como superar crises?

  • Definindo o foco da empresa é fundamental. Saber o que faz a e para quem. Qual seu posicionamento nicho ou commoditie.
  • Não culpando ninguém. Procurar associar a dificuldade pela qualidade da sua agilidade em perceber as mudanças do ambiente. O que fazer a partir do que tem pela frente. O passado cobra cargas pesadas para o futuro. Portanto não vacilar em mudar e rápido mesmo que intuitivamente. Quem vacila dança.
  • Não apostando na prole. Pense bem, se não seria melhor vender do que criar uma sucessão. Se não seria melhor construir outras empresas para os sucessores ou garantir uma carreira para eles. Só faça a sucessão se garantir que o sucessor tenha talento para tocar o negócio da família na situação presente com olho no futuro.
  • Não acreditando em governo. Confie no seu “taco”. Se as medidas forem a favor melhor. Pense sempre que o governo não é seu sócio contribuinte. Ele é um fardo na sua vida.
  • Não pensando que banco salva alguém. Ele suga suas energias. Pode ser uma bengala até sua recuperação, mas se pensa que poderá tocar o seu negócio se alavancando saíra perdendo. O banco sugará sua seiva e cuspirá seu talo.
  • Não ouvindo os puxa sacos, os aproveitadores e fofoqueiros. Crie um ouvido seletivo. Na dúvida substitua. Não gaste dinheiro com investigação de um sujeito. Gaste se perceber que está cercado por uma quadrilha.
  • Trabalhe com indicadores.
  • Crie mais soluções para ganhar mercado do que para resolver problemas.

Os empresários precisam estar cientes que a vigilância para o sucesso. É fundamental não aceitar as primeiras informações como verdadeiras e checar sua fonte como examinar o conteúdo das informações. Montar um painel de indicadores é essencial, como uma lista de tarefas a cumprir. Sem acompanhamento nada dará certo.

Ronaldo Bianchi

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Passamos do telefone preto com discagem para o Skype no Smartphone. O mesmo aconteceu com computadores, que começaram a ganhar espaço na vida empresarial a partir da década de 50. Com a invenção do transistor, nos anos 60, foi possível reduzir o tamanho dos aparelhos e a criação de outros como: o fax, desktop, telefone celular e mais recentemente os tabletes e os smartphones. A chegada da web associada aos aparelhos e seus programas mudou o mundo. A velocidade foi acelerada. Foram derrubados preconceitos, estabelecidos novos hábitos, novas possibilidades para alterar meios de vida, como mudanças na forma de nos comunicar e escrever. Importantes avanços na biologia e medicina só foram possíveis devido à inovação proporcionados por este conjunto: equipamentos, programas e web. Tudo aconteceu graças a fortes movimentos de inovações. Neste momento, dois dos seis bilhões de habitantes estão plugados de alguma forma em programas digitais. Não há mais espaço para ignorar o movimento da digitalização. Sabemos quando começou e não temos a mínima ideia aonde chegaremos.

O mundo será melhor? Com certeza, o que não significa que será justo. É preocupante a desigualdade educacional, da renda e das oportunidades. Quem se destacará? Como sempre os mais adaptáveis. Darwin explicou ao mundo no século XIX, como os animais e plantas sobreviviam e quais pereciam. A sua Teoria da Evolução explicou que no mundo natural sobreviveriam às espécies mais adaptáveis as mudanças das correlações de forças e fatores do seu do meio ambiente.

O que acontece desde sempre no campo dos negócios? As empresas mais adaptáveis e que serão as mais rentáveis serão aquelas mais inovadoras, comunicativas e que atenderão a sociedade a que servem. Como a digitalização influência nesta complexidade sociedade economicamente? Hoje é mandatório qualquer empresa de todos os tamanhos e setores acelerarem seus processos de gestão através da implantação da TI. Quanto significa em termos de recursos? Hoje as empresas inovadoras e que pretendem alcançar melhores desempenhos, aplicam entre 10 a 18% do seu orçamento na gestão e inovação em TI.

Nas vendas a TI impressiona, como: 1)Nas comunicações entre o cliente e as áreas da empresa. Não existe mais um jeito. Existem diversas aproximações. O cliente distribuidor está plugado no fornecedor, ao ponto deste saber o volume de seu estoque e disparar solicitações de pedidos para a sua própria fabrica desde que autorizado. A indústria montou equipes multifuncionais. O vendedor ou o contato comercial não é mais o tirador de pedidos. Ele atua na promoção, na verificação da qualidade dos displays no ponto de venda e nas condições de armazenamento no cliente. É uma atuação 360º. 2) No comércio, a venda pela web está estabelecida. Não demoliu o modelo tradicional, mas o completa. Ele aproxima o cliente final da marca e dos produtos. Oferece comodidade e agilidade para o cliente. Em alguns setores chega a superar a função presencial, como no caso do setor de livros, mas não elimina a livraria. 3) Na divulgação de lançamentos, na ativação de potenciais mercados e na liquidação de temporadas. Informa, ensina, facilita, cria fidelidade e aprimora ou recupera imagem. 4) A alteração do site passou de uma função de referencia para uma proposta de informação, diálogo e vendas “on iine”. O cliente pode quase tudo, sem intermediários. 5)A propaganda digital a cada dia avança para uma linguagem ao alcance de públicos específicos e na expansão dos negócios a um custo benefício importante para o anunciante. A propaganda é calibrada e os negócios de nicho podem alcançar milhões de interessados. Criando um mercado inexplorado. Vejamos o exemplo das empresas que querem alcançar os jovens. Será pela televisão aberta ou a cabo? Não será. Só o caminho das redes sociais para conversar com este público.

Nas atividades meio, os programas de gestão integrada (ERP) são indispensáveis desde grandes aos pequenos negócios. Há programas para empresa de qualquer tamanho, a custos compatíveis. Conhecer o desempenho em tempo real é fundamental para a sustentabilidade e sucesso empresarial. A digitalização mudou a contabilidade. Passou de uma função fiscal para atitude gerencial. Esta é a proposta do ERP e de programas correlatos. A capacidade de montar indicadores de desempenho está à mão de qualquer empresário ou gerente de área. Acabou-se o tempo do achismo. Passamos para o tempo da assertividade. Onde a informação deve ser precisa.

A TI passou a ser parte integrante da produção da empresa. Precisa ser tratada como uma área onde há duas subdivisões; 1) Uma operadora, dedicada ao fazer funcionar. Acelerar processos e eliminar inconsistências, afinal o “bug” faz parte da vida em TI. 2) Outra, inovadora, programada para demolir a proposta atual, incorporando inovações.

Outra informação importante, qual é o tempo médio de renovações do conhecimento nesta área? No campo do software há reformulações significativas a cada quatro a seis meses. Os programas são aprimorados e atualizados nesta faixa de tempo. Qualquer solução deve ter como visão esta perspectiva.

As áreas de negócios, produção, gestão e TI estão interligadas. Não há uma separação entre elas. O fazer um produto está vinculado na qualidade de vender, entregar e cobrar. São atividades que implicam em um diálogo constante e corresponsabilidade entre si. Todas as áreas precisam se harmonizar para alcançar o sucesso. Caso contrário o fracasso não se resume a má operação de uma individualmente. O jogo é jogado em conjunto. Não existem mais espaços para jogos individuais. Ou todos ganham ou perdem. O movimento vitorioso é o da integração, diálogo e velocidade. Só uma empresa digitalizada poderá alcançar esta possibilidade.

O momento é de quem chegar primeiro. O importante é ser suficientemente bom para abraçar a oportunidade e não o melhor. É ser o primeiro deixar a concorrência na ponta da cauda.

Ronaldo Bianchi

É comum a mídia de negócios eleger de tempos em tempos um herói. Bom para fazer render suas matérias e reproduzir pensamentos. Muitas vezes ocos. Em dado momento, ganham manchetes a “competência” de pessoas como Eike Batista, Edmar Cid Ferreira ou Madoff, para ficar com os fracassados. Estes deram golpes e se deram mal.

Outros aplicaram estratégias vinculadas com o poder público e se deram bem. Utilizaram de expedientes do oligopólio e formaram imensas fortunas. Foram competentes em usar as leis e normas do país para explorar um mercado cativo. Um exemplo foi a proibição, por décadas, de importação de matérias primas. A indústria brasileira de transformação de metais não floresceu por total controle de certos grupos empresariais fabricantes de matéria prima. As empresas eram obrigadas a comprar do minerador interno.

Eram proibidas de importar a quantidade que julgassem necessárias para manufaturar as suas produções. Pagavam preços exorbitantes e vivam de cotas. Um outro exemplo, a formação de cartéis dos empreiteiros que impediram a entrada de construtoras internacionais para construção de obras públicas. Tudo sob o manto dos governantes de plantão (executivo e legislativo). Dentro ou fora do regime democrático. Democracia não garante justiça. São fatos que levarão décadas para serem escritos, porque só serão revelados quando personagens e suas empresas estiverem fora do jogo. Quem escreve e publica depende destas empresas e dos governos para pagarem as contas.

Na história recente precisou de entes do Estado, como a Polícia Federal, Mistério Público e o Poder Judiciário para romper o silêncio mafioso das práticas abusivas de poder e corrupção empreendidas por décadas por empreiteiros e seus asseclas. O que estamos vivendo, já viemos em outros momentos. Não será o começo do fim da apologia do “grande empresário”, será mais uma etapa. De vez em quando revelam-se as brutalidades cometidas por estes arautos da competência. Podemos citar o exemplo de Thomas Alva Edson contra Tesla, no início do século XX. Dois inventores da atual produção da energia elétrica. Em dado momento, Edson imprime uma avassaladora campanha difamatória contra Tesla, chega a sabotar seus trabalhos. Tesla morre precocemente e empobrecido. Outro exemplo.

A suspeita morte de Diesel, atribuída a pessoas envolvidas na indústria do petróleo. Motivo? Por ele ter descoberto um sistema motriz que independia do petróleo para motores funcionarem. De certa forma, as forças do esclarecimento sempre estarão presentes, mas o processo é lento. Difícil desmontar processos de poder, derrubar reputações, apologias, mitos e revelar os delírios de competência que estes empresários ou governantes, que em algum momento foram emoldurados por meio de livros, artigos, teses, casos, reportagens e filmes. Portanto, não acredite em tudo que vê e que vos falam. É o passar do tempo a chave mestra da revelação. Como disse Brechet: “A verdade é filha do tempo e não da autoridade”.

Ronaldo Bianchi

Nosso país sofre de várias anomalias que impedem seu crescimento. A educação dos brasileiros não acompanha as exigências do mercado na área de serviços e da indústria. É a falta de capacidade de produzir mais, reduzindo os custos varáveis por unidade produzida ou entregue. Reduzindo os custos fixos. São medidas da empresa, não necessariamente responsabilidade do governo. A nossa capacidade gerencial é menor do que a dos BRIC e de outros países menores, como a Coréia. A produtividade média dos serviços de 1950 a 2005 no Brasil avançou 9%, enquanto na Coréia 125%. Poderá haver discrepâncias comparativas, mas é acachapante a velocidade coreana. O vetor está na qualificação da mão de obra.

A população coreana engajou-se para o desenvolvimento intelectual. Tínhamos em 1950 condições próximas quanto aos índices de analfabetismo 40% Coréia e 50% Brasil. Desde então os números coreanos e destacaram. Hoje a Coréia tem 2% de analfabetos. O Brasil 13,6%. Há ainda uma situação captada que aumenta o “vale” comparativo: o analfabetismo funcional. Somos um país com 30% da população nesta condição. Desconheço o número coreano. Eles possuem 64% dos jovens em universidades. Porém basta verificar o ranking das olimpíadas de matemática. Os coreanos são o número 1. O Brasil décimo nono.

Há outros exemplos bons e maus. Há outros impeditivos. A Argentina continua a desejar quanto a crescimento relativo. Porém, países como Chile, Colômbia e Peru demonstram vitalidade econômica. Crescem acima de 3% há quase uma década. A inflação não chega à metade do indicador de crescimento do PIB. Por quê? Há uma explicação quanto a isto: indicadores de investimento. Países citados investem acima de 20% do PIB, chegando o Peru a 25% em 2011. O Brasil apresentará em 2012 um crescimento menor do que 1% com uma inflação de 4,5%. Fato semelhante ocorreu em 2011. Nossa opção em escapar da realidade e jogar com palavras é uma tragédia que se anuncia.

Precisamos de forma importante nos ater nas condições básicas para o aumento do investimento. Para isto o governo precisa buscar investidores externos e simultaneamente adquirir o hábito de respeitar contratos. Parar na intromissão de estragar a equação de ganho dos concessionários. O monopólio do petróleo precisa ser rompido. Não condições de continuidade. A Petrobrás é refém e vitima da desqualificada gestão do governo federal dos recursos nacionais. Precisaria aumentar seus preços, está impedida. Esta garroteada de duas formas: pelo governo e pela sua burocracia.

Portanto desobstrui-la tornou-se mandatório para revitalização do mercado acionário e a composição exata do nossa inflação. Resta ao governo federal ampliar seus esforços na conduta de eliminar custeio. Repassar custos por meio do aumento da carga tributária é um convite, primeiro à sonegação. Em segundo lugar a diminuição do poder de compra da população. Aliás, esgotada. Em terceiro e não menos importante a fragilização da lucratividade empresarial. Estamos criando um ambiente para o retorno da hiperinflação. O Brasil precisa de mais competição. Cabe desmontar os monopólios ( petróleo e correio) e rever as condições dos oligopólios atuantes. Por esta e por outras se o Brasil não agir com foco, perderá mais uma vez o trem da história. Precisará focar na qualidade escolar ao mesmo tempo propiciar um ambiente amigável para o investimento privado. Respeitando suas condições primárias, realizar investimentos prioritários. Não resolveremos nossos problemas investindo em trem bala. Resolveremos criando estradas melhores ( inclusive as de ferro), portos e aeroportos.

Ronaldo Bianchi

Brasil é um país de contrates, concentrações e assimetrias.  Os governos  de todas as esferas  não a população um quadro de controle e verificação de suas ações e dados. Jornalistas, estudiosos, unidades de governo e a inteligência empresarial garimparam dados para construir cenários estratégicos ou mesmo medir o desempenho comparativo sobre desempenhos anteriores. Um balanço mensal, trimestral e semestral deveria ser oferecido à população para sua conscientização. Dados padronizados e publicados em formato e linguagem compreensível na internet. Vemos uma dezena de empresas de pesquisa que captam informações básicas, recheiam de interpretações e as vendem para privilegiados.

O governo deveria uniformizar o mínimo do fossem necessário para um cidadão comum conseguir posicionar-se sobre desempenho. Avaliar e conhecer se o governo está em boa direção ou não. O balanço seria um local onde conheceríamos como andamos nos gastos planejados versus o realizado. O balanço seria dirigido ao público cidadão. Os públicos: empresa e institucional não seria alvo, mas se beneficiaria da disponibilização. No fundo caberia ao Congresso esta coleta e formatação. Não é o legislativo o poder fiscalizador? Talvez devêssemos exigir dos partidos de oposição preencher os dados e divulgá-los. Há condições e tempo para isto. Falta interesse político? Não creio. “É ovo de Colombo”. Quem sair na frente pode ganhar margem de ganho em credibilidade.

Qual seria o papel do jornalismo? Creio que possuem condições de mapear e oferecer est quadro de desempenho comentado. Poderiam ganhar dinheiro quando tratar a informação. Leio dois jornais diários, duas revistas semanais encontro dispersão. Procuro concentração e correlação. As informações estão disponíveis. Não realizam a oportunidade em reuni-las.  Podem estar dispersas em dias diferentes ou matérias espalhadas no mesmo caderno. Os veículos não sintetizam. Jorram informações. Perdem em não transformar em proposta de inteligência. Erro editorial.

Considero a má informação o pior dos impasses brasileiros. A informação tratada, organizada, frequente, uniformizada propõe avaliação e controle de qualquer cidadão. Há um esforço do governo neste sentido: disponibilizar informações das entidades e seus contratos. É pouco. Precisamos de dados confortados, interpretados Disponibilizados de forma integral sem senha de acesso. O mundo público esconde suas mazelas. Onde? Nos contratos de construção, reforma, compras de produtos e serviços. Nas contratações de partidários a aliados para preencher  cargos em comissão. Quantos são? Quanto paga? Quais unidades demandam? Quais as condições de preenchimento?

Quanto custaria a formulação e divulgação deste balanço. Quase nada. Esforço de inteligentes servidores da Receita Federal e de alguns ministérios. O mesmo poderia ser adotado nos órgãos correspondentes para a esfera estadual e municipal.

Relatórios semelhantes deveriam ser emanados dos poderes judiciários e do legislativo para nosso conhecimento e avaliação. As notícias estão sempre dispersas. Não conseguimos sintetizar. Por quê? Porque não interessa aos titulares explicar o que fazem. Afinal acreditam que são nossos donos. Pagamos impostos para servi-los.

Ronaldo Bianchi

O manejo do tripé: câmbio, política fiscal e monetária está comprometido neste momento. Há manipulação de dados. A contabilidade pública sofre de ajustes periódicos para demonstrar um equilíbrio inexistente. O desprezo ao zelo inflacionário atingiu diretamente o equilíbrio fiscal. Crescemos aquém do crescimento de nossa divida. O BNDES e Caixa emprestam a empresas juros subsidiados para não quebrarem. O certo seria emprestar para crescerem. A bolsa de valores seria o caminho convencional para o financiamento das empresas. Na Bolsa as empresas demonstram a transparência de seus números. Captam capital para suas expansões ou mesmo reestruturações. Podem planejar e comprar outras empresas, vender as que estão fora do foco ou do prumo.

O que está por trás destas manipulações? Por que esconder, acrescentar ou diminuir números? Não seria mais fácil corrigir do que distorcer? Será que alguém acredita que estão ganhando tempo? Se continuar como está explodirá a inflação e a “rainha estará nua”, o povo pobre e as empresas quebradas.

As empresas sob controle direto ou indireto do governo estão sofrendo o pior assédio econômico após o período ditatorial. A Petrobrás é obrigada a importar gasolina e distribui-la com prejuízo. A Vale controlada por fundos de funcionários públicos ( subsidiados pelo governo) atende a demandas de mudanças em suas operações. Investiram milhões em uma exploração mineral na Guiné que não acontecerá. Remanejamento com sucesso deste fracassado investimento será improvável. A s decisões de interesse governamental não deveriam comprometer a governança empresarial. Isto está ocorrendo. O mesmo ocorre no campo das empresas de geração e transmissão de energia elétrica. Mudar os termos contratuais dilapidará patrimônio. Desconcertará equilíbrios, legando desconfianças para os investidores. Ocorrerá quebra de itens contratuais. Grave.

A queda dos juros afetou a rentabilidade dos bancos, sem a contra partida da ativação desenvolvimentista. Por quê? A massa salarial está estagnada. Não há possibilidade de maior endividamento da pessoa física. A pessoa jurídica ativará seu senso de oportunidade quando enxergar:

1) Transparência dos dados nacionais.

2) Confiança no governo federal em cumprir as clausulas contratuais quanto a remuneração do concessionário.

3) Retorno da capacidade da população ao dispêndio ( investir ou consumir)sem calotear.

O governo sinaliza fraqueza de propósito ao: escamotear dificuldades, manipular contabilidade, hesitar quanto ao momento certo de intervir no câmbio, adiar o choque ante inflacionário, adiar aumentos de preço, fugir ao combate do gasto em consumo, não atuar em melhorar suas forças para acontecer os investimentos planejados. A cada dia mais evidente. A hora do desequilíbrio irreversível, com menos dor está chegando. É hora de enfrentar a situação. Seja pelas condições favoráveis do calendário político seja motivado pela sanidade pública.

Ronaldo Bianchi

Outro dia uma amiga me perguntou: Por que o Haddad não fez uma boa gestão no MEC? Fulminei uma resposta na ponta da língua: ”Ninguém fará. Nem o mais bem preparado dos homens públicos e nem o melhor dos empresários”.

A situação estrutural da máquina pública impossibilita a sua ordenação. A carreira pública é uma atração para iniciantes. Na medida em que:

1) Vincula teto de vencimentos.
2) Forma sofistica de comparação com outras carreiras de estado.
3) Faz “tábua rasa” para talentosos e os medíocres.
4) Remuneração igual para esforços e resultados diferenciados.

A partir deste instante mediocrizarão o trabalho público. Resta aos talentosos com caráter a porta da rua. Aos outros se contentarão com o servido. As greves não são fruto para remunerar o distinto, mas remunerar os mais do mesmo.

A reforma da carreira pública está ocorrendo. Em qual sentido? No sentido da redução do custeio. Achatar a aposentadoria. Torná-la uma responsabilidade do funcionário. O valor final será semelhante ao do aposentado da iniciativa privada. Terá o mesmo teto. Para algumas carreiras seria retroagir ao início de sua trajetória profissional. Justo, injusto? Depende o quanto o governo desenvolver mecanismos de destaque e ganhos por mérito no desenvolvimento do profissional.

Quanto valorizará o talento e o esforço. Individual ou da equipe. Dada as condições atuais onde poucos querem mais dado em troca mais empenho. Resta arrochar. Não é inteligente. O certo e justo é alcançar metodologia distante do corporativismo. Próximo da meritocracia. Ganharão mais os melhores. Aos ligados aos centros científicos a possiblidade de patentear seus processos e invenções. Aos professores a remuneração varável pelo destaque dos resultados ano a ano auferidos por seus alunos. Estímulos para toda a escola a que está vinculado. Do asseio do ambiente, da qualidade alimentar ao aprendizado final. Hoje não há desafios. Não há: premiação reveladora. Ou remuneração pelo mérito. Aos que desejam encosto o melhor é a demissão involuntária. Quem não atingiu determinado patamar de desempenho: rua.. O emprego com garantia permanente servirá para: promotor, procurador (em alguns casos), juízes, militares e diplomatas. O restante cabe o acompanhamento de resultado, desempenho.

Quanto aos cargos públicos em comissão não deveriam existir. Os governantes deveriam escolher dentro dos funcionários concursados os destaque ou os afins. Precisamos fugir dos carreiristas sem vínculo com a atividade pública. Pessoas que assumem temporariamente funções com metas partidárias ou visando seu enriquecimento. Se precisar oxigenar a máquina: demita, admita conforme novas regras. Contrate assessoria especializada. O que não se deve fazer é entulhar o serviço público de asseclas partidários. Gente sem formação. Talvez nestas condições as carreiras públicas sejam enobrecidas e os serviços públicos realizados com zelo, nas condições que merecemos.

Ronaldo Bianchi

As contas públicas brasileiras estão se aproximando da zona de perigo. O governo ainda não percebeu. A realidade apontará a situação preocupante para onde caminhamos: inflação sem crescimento. O período de superávits contínuos terminou. Hoje nossas contas já estão insuficientes para:

1) Financiar o déficit orçamentário.
2) Pagar da previdência social.
3) Melhorar a infraestrutura do país.
4) Criar políticas para o desenvolvimento nacional.

Os números destes últimos meses apontam um cenário negativo vamos aos números:

1) Para atingir a meta fiscal precisaremos de R$ 65,6 bilhões. Representam o dobro da nossa necessidade no mesmo período do ano passado.
2) A redução da taxa básica de juros até o momento reduziu nosso déficit em R$ 12,7 bilhões, anulado pelo aumento das despesas $12,2 bilhões.
3) Nosso superávit primário foi reduzido de 3,2 para 2,5% do PIB o que representa uma queda de 22%.
4) O aumento da massa salarial federal será em 2012 de 3,3%. Para 2013 o impacto dos últimos dissídios aponte pelo menos entre 4,5% a 6%.
5) Nosso déficit nominal passou de 2,4% para 2,7% do PIB.

6) Os dividendos das estatais representaram a salvação das contas nacionais em 2012, serão R$29 bilhões. Números mesmo que superado, insuficiente para aplacar o aumento do atual custeio da máquina pública.

O que fazer?

O momento para as correções deve acontecer imediatamente após a eleição dado a situação preocupante de nossas contas. Caberá ao governo apertar o cerco do seu custeio, evitar a o financiamento sem lastro para a população, aumentar tarifas de produtos importados (compensando a s desvalorização do dólar e outras moedas), melhorar sua capacidade executiva de projetos e programas (PAC, por exemplo), vetar projetos de lei que aumentem o custo da produção e da máquina pública. As ações para inibir “os vazamentos” orçamentários ainda parecem tímidas. Há muita tolerância, “vistas grossas” para o aparelhamento ministerial.

O cenário futuro encontra-se a favor da nova oposição em formação. O governador do Pernambuco e o senador mineiro Aécio Neves apontam como vencedores na eleição municipal brasileira de 2012. Cacifados pela vitória, estarão prontos para formar um discurso oposicionista com consistência para a eleição de 2014. O futuro dirá como será o comportamento da presidente Dilma frente a esta decomposição do cenário econômico. Se agir poderá suceder-se, caso contrário nenhum beato Salu, conseguirá ajuda-la na sua tentativa de reeleição.

Ronaldo Bianchi

O julgamento do desvio do erário denominado mensalão é um marco histórico. O STF condenou um deputado federal por corrupção ativa. Motivo de comemoração. Por outro lado Paulo Maluf, processado há mais tempo, ainda não foi julgado pela mesma corte.

Este fato nos leva às seguintes questões: Nunca chegou ao STF um processo de desvio do erário? Os anteriores não estavam instruídos de forma correta? Faltou a promotoria instrução correta? A Polícia Federal agiu fora da lei ou não encontrou evidências criminosas? Os juízes anteriores eram mais tolerantes ao crime e aos criminosos? Os advogados de defesa eram mais preparados? O que há de diferente neste caso?

Há condicionantes para este julgamento ser um paradigma. Quais são:

1) Crime praticado por um conjunto de atores de primeiro nível.

2) O volume de dinheiro é de grande monta.

3) A acusação tem origem no seio político. Roberto Jefferson denunciou a operação, incriminando-se. Pormenorizou as operações e os envolvidos. Ato até então inédito na política brasileira.

4) O desmonte do mais importante articulador do presidente e do PT o então ministro da casa civil José Dirceu, do líder do governo José Genuíno, e do ex-presidente da Câmara Federal João Paulo Cunha. Impacto expressivo junto aos poderes executivo e legislativo.

5) A impressa cobriu intensamente todo o desenrolar da CPI ao inquérito da Polícia Federal.

6) O relator do processo no STF é um promotor de formação.

7) A Polícia Federal atuou destemidamente reunindo conjunto de provas irrefutáveis.

8) a Promotoria Geral da República cumpriu seu papel . Alinhavou passo a passo a ordenação criminal. Apontou seletivamente acusado e seus crimes.

9) O STF dividiu o julgamento em lotes criminais. Emanando sua decisão ao final de cada exame. Prático e rápido. Inibiu argumentos protelatórios.

O julgamento do mensalão é um divisor em nosso judiciário. Até o momento corre como o previsto: a justiça se realizando. Não há marmelada e não acabando em pizza. Parece filme americano onde ao final o bem vence o mal. Reconforta-nos agora assistir um final feliz.17

Ronaldo Bianchi