Quero falar um pouco sobre os passos curtos da nossa internet, os passos lentos que afetam nossas vidas e bloqueiam nossa capacidade de crescimento, produtividade e competitividade. Certamente dirá que isso não é uma novidade, e de fato não é, mas é preciso insistir nisso, sou otimista.

Enquanto a internet lá fora caminha a passos largos (5x mais largos), sofremos aqui para caminhar a passos curtos com a internet que temos.

A velocidade média da internet na Corea do Sul é de 26MB e nos EUA 16MB, o Brasil ocupa a 19ª posição deste ranking da “velocidade”, com uma banda larga média de 5,5MB.

O Brasil consegue hoje oferecer banda larga com “qualidade” para apenas  37 das mais de 5 mil cidades brasileiras, ou seja, mesmo considerando nossa densidade demográfica os valores são exageradamente contrastantes.
Mas agora vem a surpresa, pois mesmo com este disparate, conseguimos um alcance geográfico milagroso da internet no território nacional de 66%. Segundo o G1, o governo promete chegar a 98% até 2018. É um “pouco” pavoroso já sabermos hoje qual será a qualidade desta velocidade média para um universo de 98% (fonte G1), deixemos acontecer.

Dito tudo isso, um cenário surpreendente é desenhado, isso porque mesmo com esta dificuldade na banda larga brasileira, crescemos 16% no último ano, somos o 6º país que mais cresceu. Nosso consumo de internet no mundo é segundo maior, dedicamos de 4 a 5 horas diárias na rede mundial, não somos um case?!

fonte we are social

Nossa capacidade de fazer muito com pouco é única. É uma pena nosso país viver essa carência de líderes mais sérios e comprometidos com o nosso futuro. Se tivéssemos mais igualdade de competição, certamente daríamos muito trabalho para quem hoje caminha a passos largos na liderança do ranking da velocidade média de internet e claro de desenvolvimento.

Aleandro Stazetto

procurase

 

A motivação coletiva e o mosquito nossa proposta.

Introdução
O mosquito atua no Brasil desde o período colonial. Migrado da África nos navios negreiros passou a transmitir doenças tropicais infeciosas. A febre amarela foi sua mais importante transmissão do final do século XIX ao começo do século XX. A sua quase extinção ocorreu pelo fato econômico. Os exportadores de café obrigaram-se a incentivar governo e sociedade para que seus negócios não sofressem discriminação mundial. Os comerciantes internacionais ameaçaram com interrupção da compra do produto, por temerem que seus navios levassem mais uma peste para o continente europeu, assombrado pela gripe espanhola. O combate é exitoso. O Brasil vence a febre amarela e a proliferação do mosquito.
O mosquito volta à cena no inicio dos anos 70, agora transmitindo além da febre amarela (controlada pela vacinação nas áreas do norte do país) e a dengue. O avanço foi gradual entre 70 até início dos anos 90. A partir, daí passa ter um crescimento exponencial. O país mudou muito dos anos 30 para os anos 90. Passou a ser majoritariamente urbano. O adensamento populacional não foi acompanhado pelo saneamento básico. As cidades mal servidas de coleta de lixo, tratamento de esgoto e água propiciam um cenário preocupante para o combate regular do inseto.
Agora o quadro é mais grave. Acrescentaram-se mais duas infecções ao transmissor: a Chicungunha e o vírus da Zika. Se as duas primeiras não eram fatais a Zika transtorna a população. Colocando em perigo fetos. Serão brasileiros fadados a uma vida dependente, nunca autônoma.
Precisamos mais do que discurso de engajamento. Os governos precisam enfrentar esta situação adversa com atitudes assertivas para evitar a proliferação do inseto e o crescimento do número de pessoas infectadas. Áreas econômicas importantes para o país passam a ter problemas relevantes, como o turismo de negócios e de lazer. O sistema da saúde passa a ser sobrecarregado como já não o estivesse. Nada é pior do que o pavor da população em contrair doenças de árdua cura, com potencialidade de fatalidade. No caso da Zika o terror se alastra na maternidade pelo fato de gerar futuras crianças impossibilitadas de uma vida de plenitude.
Apesar de esforços para alterar este fato as autoridades federais declaram que a guerra está perdida.
O que fazer para alterar esta situação conformista?
Temos uma proposta. Acreditamos que não há guerra perdida, há fatores que se as autoridades implantarem haverá uma reversão desta má expectativa.
Cabe a nós da iniciativa privada e da sociedade civil desacomodar o cenário catatônico. O exemplo dos cafeicultores paulistas do século passado nos inspiram e será nossa visão para alterar esta fatalidade. Não podemos desistir do combate e nos render a um mosquito. Nosso destino está em nossas mãos.

Proposta
Partimos do princípio de que não bastam sistemas de convocação pública sem uma organização integrada entre comunicação, ação e benefício. Desta forma planejamos uma proposta com abrangência específica para uma verificação da eficácia da proposta.

Abrangência inicial:
O Estado de São Paulo. Por quê? É o estado da federação mais preparado para reverter o atual quadro de pessimismo e aparente impotência dos setores das três esferas no combate ao mosquito.
Nossa proposta tem duas vertentes:

1) O poder público;
Entendemos o poder público os poderes: executivo estadual e municipal. O programa de benefícios sugeridos é baseado em recompensa pelo sucesso do combate. A proposta contempla premiação de recursos para a redução por cidades. O período de apuração é anual e será de janeiro a janeiro de cada ano. A nossa proposta é a seguinte:
Para as cidades que reduzirem a incidência dos casos notificados e a recompensa será na forma de convênios obedecendo as seguintes condições:
70% recompensa R$ 10 reais por habitante.
80% recompensa R$ 20 por habitante.
90% recompensa R$ 30 por habitante.
100% recompensam de R$ 50 por habitante
O governo do Estado premiará as cidades onde o índice de redução seja alcançado neste período.
Todas as possibilidades de combate serão difundidas por materiais e informes para que haja amplo conhecimento das prefeituras e habitantes.
O Programa estadual terá a duração de 5 (cinco) anos e pretende eliminar a incidência das doenças transmissíveis por este vetor.
Se analisarmos o valor da premiação chegará R$1,35 bilhão ano. A partir da eliminação as cidades que mantiverem seus índices continuarão a receber o prêmio. As que não alcançarem os índices não serão premiadas, mas serão objeto de estudo para avaliar os motivos da frustação da meta.

2) Empresas e ONG.
A proposta para engajar as empresas é criar um fundo de premiação onde o alvo são os habitantes das cidades que alcançarem os mesmo índices públicos. A população será engajada, treinada nas formas de coleta dejetos que propiciam a proliferação dos mosquitos e eliminação de foco dos criadouros. Aqueles que participarem das ações serão cadastrados pela prefeitura e concorrerão a prêmios ao final da apuração dos resultados.

Quem somos:
A Bianchi & Associados Consultoria de Gestão para Empresas e ONG. 40 anos de experiência e conhecimento dedicados ao desenvolvimento organizacional. Realiza estruturação organizacional, atua em processos de trabalho, nas áreas de vendas e comunicação. Exercemos a funções de consultoria, gestão compartilhada e interina.
A Cia Group: empresa de 25 anos de existência atuando em marketing e processos de incentivos. Aumenta resultados empresariais reduzindo custos e aumentando receitas. Utiliza campanhas de incentivo e atividades de endomarketing por meio de tecnologias de ponta.

O que pretendemos:
Oferecer a sociedade algumas alternativas de recompensa para o combate permanente e eficaz do mosquito transmissor de doenças como zika, dengue e chicungunha.

Ronaldo Bianchi

Em 2015 Nielsen IBOPE divulgou números importantes sobre o comportamento dos brasileiros e seus smartphones. Segundo esse levantamento atualizado em 2016, somos no Brasil mais de 70 milhões de usuários conectados, não pelo computador, mas pelos celulares e tablets.

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Do total de usuários:

As redes sociais, serviços de mensagens, e-mail, vídeos, notícias, música e portais são os conteúdos e ferramentas mais utilizados pelos usuários brasileiros de smartphone. Dos vinte aplicativos mais utilizados no Brasil, sete são redes sociais ou comunicadores instantâneos. Na sequência aparecem apps de bancos, e-mail, vídeos e games.

Mais uma vez os números mostram como as empresas devem ficar atentas aos movimentos tecnológicos e suas oportunidades. O futuro é hoje, portanto não há porque esperar para tomar decisões estratégicas básicas. Isso é o mínimo que grandes, pequenos e micro empresários devem fazer. Ações simples como ter um site responsivo (com navegação adequada para computadores, celulares e tablets etc), desenvolver um bom aplicativo (se necessário para o seu negócio) e trabalhar conteúdo de comunicação com relevância e alcance sistemático farão diferença. Para quem fizer a lição de casa, não haverá muitas dificuldades nas novas provas do futuro.

ALEANDRO STAZETTO

No artigo anterior, tratamos do papel da assessoria de imprensa e, no presente artigo abordaremos a função da publicidade no processo de comunicação.

As organizações informam os seus públicos externos por meio da publicidade e da propaganda. O conteúdo da mensagem dependerá dos objetivos a serem atingidos e, da mesma forma, o veículo a ser utilizado para esse fim. Porém, até chegar à publicação, uma unidade da organização deve se responsabilizar pela ação, cabendo à área de marketing, no caso de médias e grandes organizações. Nas menores, cabe ao setor comercial ou, em empresas ainda menores, a quem interessa a publicidade, o dono da empresa. Como ocorre esse evento? De preferência, a empresa deve contratar uma agência para definir o conteúdo da mensagem, a forma como será transmitida e qual o veículo da publicidade. A chave do processo é alcançar o público-alvo de seu interesse.

Há complexidade para todos os portes de empresa, porém o que a organização deve ter em mente é o resultado. O objetivo básico da publicidade, assim como o da propaganda, é informar: ofertas de mercadorias, promoção de serviços, descrição de seus produtos e assuntos ligados à imagem institucional da organização.
As cautelas que devem ser tomadas na elaboração de uma peça de publicidade são:

. Anúncios Impressos:

. A marca e o logotipo da empresa devem constar sempre da mesma forma.

. A mensagem deve expressar a realidade da proposta, fornecendo aquilo que foi prometido.

. Itens como preço, descrição, endereços ou ressalvas devem estar muito bem colocados no layout da peça publicitária.

. Se houver fotos, elas devem estar bem centralizadas, com boa resolução, permitindo visibilidade e fácil identificação do produto.

. A peça deve expor o diferencial, seja o melhor preço ou a melhor qualidade, enfim, inúmeras alternativas que representem a capacidade de alavancar as vendas ou imagem.

. A correção ortográfica é mandatória, não poderá haver erros relacionados à identificação da empresa e seus dados. Brincadeiras com a linguagem do conteúdo da mensagem deve ser objeto de profunda reflexão. Caso contrário, uma forma errônea irá prejudicar o conceito da marca. É gol contra.

. Quanto aos anúncios para televisão ou internet, as imagens proporcionam novo sentido à forma, porém valem todos os cuidados mencionados para a mídia impressa.

. Anúncios de Rádio – dependendo do assunto, os jingles são insuperáveis.

A publicidade deve sempre estar organizada para um período de tempo, preferencialmente, de forma constante. Nesse sentido, ela alcançará seu objetivo com maior probabilidade de êxito. No processo de publicidade é desaconselhável uma ação singular, única da empresa. As estatísticas indicam que para uma pessoa compreender a ação publicitária, ela deve ser exposta à publicidade pelo menos 138 vezes, o que não é nada fácil. O investimento deve ser proporcional à intenção de conversão dos custos em faturamento, daí, a resultados. Nada fácil!

Ronaldo Bianchi

O exercício do diálogo nas organizações ocorre sob qualquer circunstância, ordenadamente ou não, estando as organizações sujeitas a um conjunto de pressões de diversas áreas da sociedade onde atuam. Nessa condição inevitável, o papel das relações públicas torna-se relevante por alguns motivos:

1. Abre-se uma porta de entrada para que os grupos de pressão possam reivindicar os seus desejos.

2. Atende aos visitantes, clientes atuais e potenciais, fornecedores, autoridades, no sentido de apresentar a organização ou explicar motivos e razões para uma determinada situação.

3. Complementa, quando demandado, as atividades mercadológicas e institucionais para organizar encontros, palestras e seminários.

4. Representa a organização em eventos institucionais que mereçam a atenção da organização.

5. Prepara documentos destinados à apresentação da empresa ou de seu papel dentro de determinado contexto.

6. Acompanha os serviços de atendimento ao cliente.

Devemos ter um profissional dessa área quando a organização demanda constantes esclarecimentos e intensa série de programas e eventos. Dessa forma, o seu papel é fundamental dentro de um contexto onde as relações interpessoais e inter-organizacionais sejam relevantes.

Na esfera governamental, entendo que todos os órgãos da administração direta exigem o cargo. Poderia estar disposta como uma assessoria de protocolo, institucional, cerimonial ou mesmo de relações públicas, sendo sua área de atuação:

1. Preparar a agenda das autoridades visitantes.

2. Acompanhar os titulares do seu órgão em cerimônias públicas e em algumas exclusivas.

3. Emitir, receber e distribuir convites de eventos e organizá-los.

4. Orientar os discursos das autoridades nas cerimônias, preparando a relação dos nomes ali presentes. Ficará a critério da autoridade, pronunciá-los ou não no início de seu discurso.

5. Representar o órgão quando demandado.

Nas organizações de atividades como museus, hospitais, departamentos públicos, as funções se dedobram:

1. Preparar apresentações sobre a organização.

2. Receber grupos para visitas, esclarecimentos ou reivindicações.

3. Acompanhar seus dirigentes em audiências e eventos, preparando seu roteiro e pavimentando seu trajeto para um rápido atendimento.

No caso de empresas, mais algumas funções podem ser agregadas ao papel das relações públicas, além das anteriormente citadas:

1. Acompanhar os processos legislativos de interesse da associação ou da empresa.

2. Preparar eventos para confraternização dos funcionários, diretores ou visitantes.

3. Dar vazão interna às reivindicações da comunidade próxima da empresa.

4. Mapear os usos da imagem institucional.

5. Criar uma estratégia para que a organização seja protagonista de alguma campanha para o desenvolvimento da sociedade.

O profissional de relações públicas é indispensável na atualidade, pois define a primeira impressão de uma organização junto ao seu público de interesse. As relações públicas em sua devida e cautelosa proporção representam as organizações como o serviço diplomático representa o Estado: esclarece, acomoda e propõe melhores relações entre as partes envolvidas.

Ronaldo Bianchi

Neste artigo abordaremos os aspectos das publicações no âmbito organizacional.

As publicações podem ser aplicadas de diversas formas, variando conforme o destinatário. Na maioria das vezes, as empresas publicam: informativos, anúncios de esclarecimento, revistas, livros, catálogos de venda, portal, site entre outros. O importante é ter claro o propósito da publicação quanto a:

1. Determinar o público a quem a publicação é dirigida – público interno, clientes, fornecedores, instituições, governo. Para cada público e finalidade, uma linguagem diferente e um assunto em destaque.

2. Periodicidade – quantas publicações deverão ser realizadas durante o ano.

3. O meio de veiculação – digital ou impresso, ou ambos

As publicações voltadas ao público interno devem abordar os principais assuntos da organização, dando-se preponderância e esclarecendo assuntos que sejam matéria de dúvida, o que diminuirá os efeitos da comunicação informal (rádio peão). Entendo que nem todos os assuntos serão objeto da publicação, porém, há necessidade de ser terminativo a todos que abordar. A publicação interna é ainda responsável por divulgar avisos, comemorações, campanhas de precaução, cuidados com a segurança e saúde e oportunidades oferecidas ao desenvolvimento pessoal dos colaboradores. Quanto às publicações que atendem o propósito de vendas, ou seja, os catálogos.

Devem ser produzidos de forma a propiciar ao cliente uma gama de informações sobre as finalidades e benefícios dos produtos descritos como a forma de aquisição, financiamento, preços, prazos de pagamento, a especificação dos produtos e seus opcionais. Deve ser um veículo que facilite o trabalho do vendedor e do cliente.

Nas publicações institucionais ou de relacionamento, o nome da publicação deve ser uma das preocupações da organização. Das últimas lançadas, creio que a revista “Charlô” é um exemplo de elegância. Aborda diversos temas como comportamento, culinária e ações sociais, além de ser uma revista graficamente muito bem feita – layout, gramatura e impressão. Poderia ser mal interpretada pelo fato de levar o nome de uma pessoa, porém a sua construção superou a principal barreira que é personificar com conteúdo, variedade de assuntos e velocidade de texto.

As revistas empresariais devem seguir o propósito de abordagem de temas voltados ao seu público-alvo. Por isso, é muito difícil atender as expectativas. Com o tempo, ela se esgota na mesmice dos temas. Difícil falar sobre um carro de uma determinada marca o tempo todo. Não há muita novidade e quando envereda para outros temas, pode diminuir a qualidade em comparação com outras revistas especializadas.

Outra forma de atingir o público de interesse é através da publicação anual de livros. O propósito é meritório, porém, muitas vezes, torna-se um “Coffee table book”, que se lido apenas uma vez é muito. No caso dessa opção, a organização deveria tematizar o assunto de seu interesse e publicar uma série, dando preferência a temas como educação, ecologia e energia. A publicação sobre pesquisas é outra oportunidade no sentido de aumentar a conscientização sobre esses temas úteis, oferecendo resultados junto aos formadores de opinião e a todos aqueles interessados nesse tipo de assunto.

O próximo tema tratará do papel das relações públicas.

Ronaldo Bianchi

O processo de comunicação deveria atingir as pessoas com a finalidade de melhorar sua qualidade de vida. O nome seria comunicação social. E quais as áreas que a comunicação social deveria atingir, aprofundar e persistir até ocorrer o entendimento?

Acredito que alguns temas devam ser explorados. A seguir, mencionarei alguns deles, sem procurar esgotar a discussão, dividindo-os em grades temas e áreas de interesse:

1. Pessoal e Familiar: saúde, educação, habitação, transporte e vida familiar.

2. Direito e Cidadania

3. Funções do Estado

4. Deveres da Comunidade

5. Economia e Emprego

6. Meio Ambiente

7. Energia e Saneamento

Dado os temas, quais os meios de comunicação adequados para que informação seja levada às pessoas?

A resposta é complexa e simples: todos os meios. Tantos quanto existirem e de tantas formas necessárias para que as pessoas consigam compreender o que acontece com elas, com os outros à sua volta e com todos.

A cultura brasileira responde muito bem aos estímulos audiovisuais. A transmissão oral é significativa em nosso processo de aprendizado, reprodução de costumes e comportamento. Creio que seja importante o papel do Estado no processo de comunicação social e acredito que os governos deveriam investir muito mais do que investem por meios próprios. Sim, canais estatais e subsídios para canais não governamentais de comunicação, abrindo espaço dentro de concessões públicas comerciais para que a população seja alcançada nesse processo de informação e de esclarecimento.

Como podemos arquitetar esse processo? Da mesma forma que a teia de comunicação ligada ao mercado, porém sem a necessidade de ingerência de:

a) Publicidade

b) Nivelamento da audiência

c) Amarrações comerciais

Quando o governo precisa anunciar uma campanha informativa, paga tabela cheia por ela. Obriga-se a repassá-la via agências de publicidade. Será que campanhas de vacinação ou de saúde pública, como a campanha contra a dengue, precisam passar por esse crivo? O governo precisa pagar o preço total para uma informação ser veiculada? Não caberia aos veículos de comunicação cobrar o custo dessa publicação. As formas cativas de dependência, quando o cliente é obrigado a pagar pelo serviço a ser prestado, deveriam ser revistas no caso da informação social. De preferência, por lei, assim não haveria dúvida sobre as relações entre o governo, as agências e a mídia.

No próximo artigo, abordaremos alguns itens na área de interesse da comunicação social e suas plataformas de difusão dessas informações.

Ronaldo Bianchi

Participo de campanhas políticas há 37 anos, sempre apoiando posições democráticas. Sou filiado ao PSDB desde 2003, muito tempo depois de decidir com quem me sintonizava politicamente.

A primeira participação ocorreu em 1974. As eleições restringiam-se ao Congresso, Assembléias e Câmaras Municipais, exceto capitais, estâncias e cidades portuárias. Disputava-se uma vaga para o Senado: pela situação – ARENA (Aliança Renovadora Nacional) – o eminente ex-governador Carvalho Pinto e pela oposição – MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o ex-prefeito de Campinas, Orestes Quércia. Quércia ganhou, apesar da inexperiência e de ser desconhecido do povo. A população paulista votou contra os militares e não contra o Senador Carvalho Pinto, votou a favor da redemocratização. Em resumo, a causa (redemocratização) ganhou vida entre a população, apesar de as propagandas demonstrarem precariedade, não havia debate, apenas imagens e algumas palavras sobre o número do candidato.

O momento da reversão ocorre na sucessão de Figueiredo, em 1985, quando Tancredo Neves foi eleito presidente por voto indireto, ou seja, votação dos congressistas. Graças à união entre parte das forças políticas conservadoras e a oposição. Rachada a situação, somada a coalizão da oposição, derrubamos a ditadura. Recebemos como presidente, José Sarney, pois Tancredo lamentavelmente faleceu antes de assumir o cargo.

A democracia se concretizou quando Fernando Collor de Mello foi eleito por voto direto, em segundo turno, contra aquele que 13 anos depois se tornaria presidente por oito anos: Lula.

Collor não tinha a expressividade histórica de Mário Covas e Ulisses Guimarães, porém, ganhou de ambos no primeiro turno. Foi amplamente apoiado por setores populares e conservadores. A televisão entrou para a história política brasileira nesse instante. O presidente “esportista” tomou nossas telas durante meses. A televisão foi decisiva na ascensão e queda de Collor. Assume Itamar, cujo mandato muda o Brasil com o Plano Real. Até hoje, não foi devidamente reconhecido como estadista.

Fernando Henrique Cardoso é eleito pelo sucesso do Plano Real, que estabilizou a economia, além de outros méritos de seu governo. Ao final do governo FHC, seu ministro José Serra candidatou-se à presidência. A campanha demonstrou a desunião entre seus pares. Tradicionais adversários dentro do partido, alguns se tornaram inimigos. Serra não debelou oposição à sua candidatura, perdendo para Lula. O mesmo aconteceu com Geraldo Alckmin na eleição de 2006.

Lula, após três tentativas, coligou-se aos conservadores e ganhou. Contou sempre a sua versão, omitindo a importância dos fundamentos econômicos e políticos herdados de FHC. Seu governo foi uma maré de boas notícias, e ao final, com índices incontestáveis, o mito Lula elegeu Dilma. Serra perdeu:

1. Por não ter unido a oposição à sua candidatura.

2. Por não ter contagiado o eleitorado, suficientemente, para vencer o mito.
Portanto, aprendemos com a história:

. A ascensão e a queda de um político estarão sempre ligadas aos seus atos, porém é importante como seus atos serão apresentados ao público. O Plano Real deu certo por ser uma proposta bem articulada e bem comunicada. FHC soube apresentá-lo como ministro. Tornou-se presidente duas vezes.

. A televisão é o veículo mais importante da percepção do público sobre um político e suas atitudes, seja ou não na condição de ocupante de um cargo.

. Conhecer e aplicar técnicas naturais ou apreendidas de comunicação televisiva é o segundo fator diferencial entre o sucesso e o fracasso de um político.

. Não basta ser honesto, é necessário parecer também.

. A desunião partidária gera derrota.

. Mito não perde eleição.

. Traição e intriga são elementos comportamentais incontroláveis do ser humano, sendo prejudicial à saúde política.

Os recentes movimentos oferecem novos posicionamentos interessantes: 

1. Gilberto Kassab – é conservador, ensaia uma aliança com o Planalto sem romper com o PSDB.

2. Gabriel Chalita e Paulo Skaf – ensaiam ir para o PMDB, ambos candidatos a prefeito de São Paulo. Chalita tem votos cativos, Skaf é boa novidade.

3. Geraldo Alckmin – precisará realizar um excelente mandato. Caso contrário, não emplacará seu predileto a prefeito de São Paulo e até mesmo sua sucessão.

4. Aécio, Geraldo, Serra entre outros – em algum momento precisarão unir o PSDB nacional para volta ao Planalto e manter o PSDB como importante força política.

Ronaldo Bianchi

No artigo anterior, mencionamos a criação da Empresa Brasileira de Comunicações. Foi um marco histórico importante e pelo qual destacamos valores e dúvidas:

Valores:

1. Criar uma rede nacional de televisões públicas no contexto de formato aberto, ou seja, tem a intenção de ser um contraponto às televisões comerciais a longo prazo.

2. Fortalecer as televisões públicas, educativas e comunitárias com a mesma intenção de criar alternativas às televisões comerciais, hoje, preponderantes nos indicadores de audiência.

3. Incentivar a produção independente de audiovisual no sentido de suprir a programação da rede que criou e, por sua vez, uma alternativa à produção comercial das outras televisões.

4. Oferecer à audiência, visões paralelas às das redações dos jornais de televisões comerciais. Há notícias e reportagens que as emissoras vinculadas ao mercado não conseguem expressar, caso contrário, sofreriam retaliação de seus anunciantes, podendo inviabilizá-las.

Dúvidas:

a) Por que o governo obrigou-se a criar essa empresa, em vez de fortalecer a rede existente nos estados e municípios?

b) Por que investiu ao longo dos anos, valores expressivos em equipamentos próprios e não fortaleceu a rede já existente?

c) Por que não reformulou as normas atuais que regulam as concessões públicas de televisão?

d) O governo precisava criar uma empresa para estimular o setor produtivo na área de produção independente?

e) O governo precisava reduzir a dedutibilidade da Lei Rouanet às televisões públicas e educativas de 100% para 70%? Será que não seria sua intenção enfraquecê-las?

Por essas e por outras, a criação da EBC tem pontos positivos e negativos. Como empresa não poderá por si regularizar as distorções que o setor demonstra em seu exercício diário.

Caberia ao Estado, via agência ou legislativamente, atuar no sentido de:

1. Arrefecer o oligopólio junto ao mercado publicitário e equilibrar os indicadores de audiência por veículo. Se fosse nos Estados Unidos, há muito tempo as grandes redes seriam subdivididas, pois lá nenhuma rede nacional pode exceder 15% de audiência.

2. Criar um novo código e marco regulatório para concessões públicas de radiodifusão, combinando a sua distribuição aos aliados políticos.

3. Promover um conjunto de licitações que, ao longo de uma década, corrigisse as distorções apontadas nos dois itens aqui apontados.

Ronaldo Bianchi

O financiamento das televisões públicas que conheci não é uniforme, porém guardam racionalidade por si. Em outras palavras, todas tem suas razões plausíveis de existir da forma que são.

1. E.U.A. – nesse país, visitei o sistema central e as seguintes emissoras de televisão:

a) Sistema Central (Public Broading System) – o sistema americano de contratação de financiamento público se relaciona com mais de 300 emissoras independentes. Essas emissoras recebem recursos do PBS, oriundos do Congresso Americano. O sistema repassa recursos, contrata produção independente e distribui ao conjunto de emissoras. Financia a produção de algumas das televisões do sistema e distribui o resultado da mesma forma.

b) Visitei as emissoras de televisão públicas locais – Washington, DC e Nova York. Além da parcela do PBS, ocorrem arrecadações junto a pessoas físicas, que podem deduzir suas contribuições do imposto de renda, e recebem recursos de empresas e entidades do terceiro setor locais, regionais e nacionais.

2. CANADÁ – A CBC (Canadian Broadcasting Corporation) é uma entidade sem fins lucrativos que recebe recursos do parlamento com duas finalidades: financiamento da produção audiovisual e das emissoras de televisão de língua inglesa (predominante), e outra de língua francesa. As emissoras, além de receberem recursos oficiais, adotam um expressivo financiamento via publicidade. Atuam em: jornalismo, transmissões esportivas (Hockey no gelo é o esporte nacional), teledramaturgia, documentários e cinema. Não há restrições legais para o financiamento privado. Uma marca de cerveja financia as transmissões esportivas. A entidade CBC é regulada pela agência nacional de telecomunicações, da mesma forma como as outras emissoras privadas. Todas são concessões públicas sujeitas a metas com prazo máximo de sete anos, renováveis. Caso o canal esteja descumprindo metas, sua concessão será reduzida a dois anos e, se persistir desconformidade, a licença será cassada.

3. ALEMANHA – como relatei, o complexo alemão é intrincado. Há um canal nacional, quatro redes provinciais e inúmeros canais municipais. As redes recebem conforme as cotas de recursos dos cidadãos que desejam receber o sinal televisivo. São €$ 230 por domicílio. A arrecadação é compartilhada e as emissoras provinciais, assim como as locais, também recebem recursos de seus governos.

4. ESPANHA – visitei a emissora catalã com sede em Barcelona. A sua função é preservar e difundir a língua basca. Os recursos são oriundos da província da Catalunha, mas recebem pequena parcela do parlamento espanhol.

Em resumo, a menor ou maior independência editorial ocorre pela condição da administração. Os administradores negaram qualquer influência dos poderes públicos na programação. Porém, nem todas são perfeitas, há excesso de funcionários na emissora catalã, enquanto que em Washington, sobrevive a duras penas. As alemãs sofrem a falta de audiência dos jovens, a média é de um público com 65 anos de idade. A emissora de televisão de Nova York é nota 10, enxuta, prática e produtiva.

Ronaldo Bianchi