O manejo do tripé: câmbio, política fiscal e monetária está comprometido neste momento. Há manipulação de dados. A contabilidade pública sofre de ajustes periódicos para demonstrar um equilíbrio inexistente. O desprezo ao zelo inflacionário atingiu diretamente o equilíbrio fiscal. Crescemos aquém do crescimento de nossa divida. O BNDES e Caixa emprestam a empresas juros subsidiados para não quebrarem. O certo seria emprestar para crescerem. A bolsa de valores seria o caminho convencional para o financiamento das empresas. Na Bolsa as empresas demonstram a transparência de seus números. Captam capital para suas expansões ou mesmo reestruturações. Podem planejar e comprar outras empresas, vender as que estão fora do foco ou do prumo.

O que está por trás destas manipulações? Por que esconder, acrescentar ou diminuir números? Não seria mais fácil corrigir do que distorcer? Será que alguém acredita que estão ganhando tempo? Se continuar como está explodirá a inflação e a “rainha estará nua”, o povo pobre e as empresas quebradas.

As empresas sob controle direto ou indireto do governo estão sofrendo o pior assédio econômico após o período ditatorial. A Petrobrás é obrigada a importar gasolina e distribui-la com prejuízo. A Vale controlada por fundos de funcionários públicos ( subsidiados pelo governo) atende a demandas de mudanças em suas operações. Investiram milhões em uma exploração mineral na Guiné que não acontecerá. Remanejamento com sucesso deste fracassado investimento será improvável. A s decisões de interesse governamental não deveriam comprometer a governança empresarial. Isto está ocorrendo. O mesmo ocorre no campo das empresas de geração e transmissão de energia elétrica. Mudar os termos contratuais dilapidará patrimônio. Desconcertará equilíbrios, legando desconfianças para os investidores. Ocorrerá quebra de itens contratuais. Grave.

A queda dos juros afetou a rentabilidade dos bancos, sem a contra partida da ativação desenvolvimentista. Por quê? A massa salarial está estagnada. Não há possibilidade de maior endividamento da pessoa física. A pessoa jurídica ativará seu senso de oportunidade quando enxergar:

1) Transparência dos dados nacionais.

2) Confiança no governo federal em cumprir as clausulas contratuais quanto a remuneração do concessionário.

3) Retorno da capacidade da população ao dispêndio ( investir ou consumir)sem calotear.

O governo sinaliza fraqueza de propósito ao: escamotear dificuldades, manipular contabilidade, hesitar quanto ao momento certo de intervir no câmbio, adiar o choque ante inflacionário, adiar aumentos de preço, fugir ao combate do gasto em consumo, não atuar em melhorar suas forças para acontecer os investimentos planejados. A cada dia mais evidente. A hora do desequilíbrio irreversível, com menos dor está chegando. É hora de enfrentar a situação. Seja pelas condições favoráveis do calendário político seja motivado pela sanidade pública.

Ronaldo Bianchi

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