Nosso país sofre de várias anomalias que impedem seu crescimento. A educação dos brasileiros não acompanha as exigências do mercado na área de serviços e da indústria. É a falta de capacidade de produzir mais, reduzindo os custos varáveis por unidade produzida ou entregue. Reduzindo os custos fixos. São medidas da empresa, não necessariamente responsabilidade do governo. A nossa capacidade gerencial é menor do que a dos BRIC e de outros países menores, como a Coréia. A produtividade média dos serviços de 1950 a 2005 no Brasil avançou 9%, enquanto na Coréia 125%. Poderá haver discrepâncias comparativas, mas é acachapante a velocidade coreana. O vetor está na qualificação da mão de obra.

A população coreana engajou-se para o desenvolvimento intelectual. Tínhamos em 1950 condições próximas quanto aos índices de analfabetismo 40% Coréia e 50% Brasil. Desde então os números coreanos e destacaram. Hoje a Coréia tem 2% de analfabetos. O Brasil 13,6%. Há ainda uma situação captada que aumenta o “vale” comparativo: o analfabetismo funcional. Somos um país com 30% da população nesta condição. Desconheço o número coreano. Eles possuem 64% dos jovens em universidades. Porém basta verificar o ranking das olimpíadas de matemática. Os coreanos são o número 1. O Brasil décimo nono.

Há outros exemplos bons e maus. Há outros impeditivos. A Argentina continua a desejar quanto a crescimento relativo. Porém, países como Chile, Colômbia e Peru demonstram vitalidade econômica. Crescem acima de 3% há quase uma década. A inflação não chega à metade do indicador de crescimento do PIB. Por quê? Há uma explicação quanto a isto: indicadores de investimento. Países citados investem acima de 20% do PIB, chegando o Peru a 25% em 2011. O Brasil apresentará em 2012 um crescimento menor do que 1% com uma inflação de 4,5%. Fato semelhante ocorreu em 2011. Nossa opção em escapar da realidade e jogar com palavras é uma tragédia que se anuncia.

Precisamos de forma importante nos ater nas condições básicas para o aumento do investimento. Para isto o governo precisa buscar investidores externos e simultaneamente adquirir o hábito de respeitar contratos. Parar na intromissão de estragar a equação de ganho dos concessionários. O monopólio do petróleo precisa ser rompido. Não condições de continuidade. A Petrobrás é refém e vitima da desqualificada gestão do governo federal dos recursos nacionais. Precisaria aumentar seus preços, está impedida. Esta garroteada de duas formas: pelo governo e pela sua burocracia.

Portanto desobstrui-la tornou-se mandatório para revitalização do mercado acionário e a composição exata do nossa inflação. Resta ao governo federal ampliar seus esforços na conduta de eliminar custeio. Repassar custos por meio do aumento da carga tributária é um convite, primeiro à sonegação. Em segundo lugar a diminuição do poder de compra da população. Aliás, esgotada. Em terceiro e não menos importante a fragilização da lucratividade empresarial. Estamos criando um ambiente para o retorno da hiperinflação. O Brasil precisa de mais competição. Cabe desmontar os monopólios ( petróleo e correio) e rever as condições dos oligopólios atuantes. Por esta e por outras se o Brasil não agir com foco, perderá mais uma vez o trem da história. Precisará focar na qualidade escolar ao mesmo tempo propiciar um ambiente amigável para o investimento privado. Respeitando suas condições primárias, realizar investimentos prioritários. Não resolveremos nossos problemas investindo em trem bala. Resolveremos criando estradas melhores ( inclusive as de ferro), portos e aeroportos.

Ronaldo Bianchi

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