As empresas brasileiras enfrentarão uma nova crise. Já enfrentamos uma dezena delas, mas nesses últimos oito anos, somente uma – a de 2008. A crise de 2012 nada terá haver com alinhamento planetário ou outra previsão de Nostradamus, pois trata-se do desdobramento da crise de 2008, e por quê?

Naquele momento, os governos centrais ampliaram suas dívidas para dinamizar as suas economias, e, em parte, o plano deu certo. A crise foi amenizada, porém não gerou o crescimento necessário para ampliar suas arrecadações, que garantiriam a sua sustentabilidade. Algumas economias cresceram menos do que o esperado, e pior, algumas já estavam à beira da boa alavancagem, passaram do ponto e não conseguirão honrar débitos contraídos. Solução: renegociação.

Quais os termos? Empresta-se nas seguintes condições: reduzir custeio da máquina pública, investimentos, o montante dirigido a políticas sociais e consorciar com o aumento da tributação. A América Latina caiu nessa armadilha nos anos 70 com o aumento do petróleo e estagnou-se com hiperinflação por 18 anos. Quem tem mais de 40 anos sabe do que estou falando, pois viveu o processo. Quem tem menos pode ler e conhecer o flagelo desse desatino. Naquela época, cresceram as favelas, a dívida pública, a criminalidade e os serviços públicos se contraíram. Hoje, o Brasil está razoavelmente melhor porque privatizou empresas, melhorou seus indicadores sociais e ampliou seu empenho na educação. Além disso, criou mecanismos de carga tributária ligeira para os pequenos empresários.

Os médios estão ficando (morrendo) pelo caminho. Agora é a hora de redução de juros, ampliação dos benefícios na redução da carga às médias empresas, melhor financiamento para o agronegócio e os exportadores, desoneração das folhas de pagamento de todos os setores. A redução da carga federal é inevitável para evitar a estagnação, porém para isso será necessário:

1. Ampliar o combate à sonegação fiscal.

2. Combater o contrabando, o roubo de cargas e o tráfico de drogas. Sendo essa o três em um do crime organizado.

3. Diminuir para 20, o número de ministérios que, hoje, somam 37. Permanecer apenas com aqueles importantes para o país crescer.

4. Diminuir o número de cadeiras no Senado e na Câmara Federal, nas Assembléias dos Estados e nas Câmaras Municipais. Qual o número? Um terço no Senado e a metade no restante.

5. Proibir a criação de mais estados e municípios.

6. Bloquear os esquemas de evasão de divisas.

7. Punir com mais severidade a corrupção pública.

8. Reduzir, em dois terços, os cargos em comissão em todas as esferas públicas.

Nada fácil, mas será uma questão de prioridade econômica para alavancar a justiça social de um lado e do outro, para que as empresas possam manter seus níveis de emprego e até crescer dentro da crise internacional que se avizinha.

São medidas de ruptura exigidas para os momentos extraordinários. Quem liderar esse processo encontrará no povo fiéis seguidores.

Ronaldo Bianchi

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