É comum a mídia de negócios eleger de tempos em tempos um herói. Bom para fazer render suas matérias e reproduzir pensamentos. Muitas vezes ocos. Em dado momento, ganham manchetes a “competência” de pessoas como Eike Batista, Edmar Cid Ferreira ou Madoff, para ficar com os fracassados. Estes deram golpes e se deram mal.

Outros aplicaram estratégias vinculadas com o poder público e se deram bem. Utilizaram de expedientes do oligopólio e formaram imensas fortunas. Foram competentes em usar as leis e normas do país para explorar um mercado cativo. Um exemplo foi a proibição, por décadas, de importação de matérias primas. A indústria brasileira de transformação de metais não floresceu por total controle de certos grupos empresariais fabricantes de matéria prima. As empresas eram obrigadas a comprar do minerador interno.

Eram proibidas de importar a quantidade que julgassem necessárias para manufaturar as suas produções. Pagavam preços exorbitantes e vivam de cotas. Um outro exemplo, a formação de cartéis dos empreiteiros que impediram a entrada de construtoras internacionais para construção de obras públicas. Tudo sob o manto dos governantes de plantão (executivo e legislativo). Dentro ou fora do regime democrático. Democracia não garante justiça. São fatos que levarão décadas para serem escritos, porque só serão revelados quando personagens e suas empresas estiverem fora do jogo. Quem escreve e publica depende destas empresas e dos governos para pagarem as contas.

Na história recente precisou de entes do Estado, como a Polícia Federal, Mistério Público e o Poder Judiciário para romper o silêncio mafioso das práticas abusivas de poder e corrupção empreendidas por décadas por empreiteiros e seus asseclas. O que estamos vivendo, já viemos em outros momentos. Não será o começo do fim da apologia do “grande empresário”, será mais uma etapa. De vez em quando revelam-se as brutalidades cometidas por estes arautos da competência. Podemos citar o exemplo de Thomas Alva Edson contra Tesla, no início do século XX. Dois inventores da atual produção da energia elétrica. Em dado momento, Edson imprime uma avassaladora campanha difamatória contra Tesla, chega a sabotar seus trabalhos. Tesla morre precocemente e empobrecido. Outro exemplo.

A suspeita morte de Diesel, atribuída a pessoas envolvidas na indústria do petróleo. Motivo? Por ele ter descoberto um sistema motriz que independia do petróleo para motores funcionarem. De certa forma, as forças do esclarecimento sempre estarão presentes, mas o processo é lento. Difícil desmontar processos de poder, derrubar reputações, apologias, mitos e revelar os delírios de competência que estes empresários ou governantes, que em algum momento foram emoldurados por meio de livros, artigos, teses, casos, reportagens e filmes. Portanto, não acredite em tudo que vê e que vos falam. É o passar do tempo a chave mestra da revelação. Como disse Brechet: “A verdade é filha do tempo e não da autoridade”.

Ronaldo Bianchi

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